Decisões ágeis, processos lean de governança, cumprimento dos objetivos, redução de custos, e melhores resultados com ROI são alguns dos desdobramentos da Modernização Contínua, uma estratégia do mundo de software que agora se estende à própria arquitetura dos processos empresariais.

Um estudo do Standish GroupEndless Modernization: How Infinite Flow Keeps Software Freshdivulgado em dezembro de 2020, compara e dimensiona o custo retorno de três abordagens para inovação das aplicações: iniciardo zero; evoluir para pacotes de mercado; e de modernização contínua. Os números relativos aos objetivos de negócio, satisfação do cliente e outras métricas de retorno surpreendem até mesmo a nós e aos clientes que optam por essa abordagem. O mais interessante é que, nas conversas no Micro Focus Realize, alguns dos CIOs convidados mencionaram como as táticas de transformação no desenvolvimento e entrega de software se estendem ao desenvolvimento de produtos, ao workflow e à própria estrutura da organização. Departamentos que antes operavam em silos, como financeiro, jurídico, ou RH, estão dando espaço para equipes dispostas a solucionar um desafio comum com métodos ágeis. Portanto o mundo está mudando, devido à cultura trazida principalmente por statups, e hoje há uma pressão muito grande a empresas tradicionais, que necessitam pensar de maneira ágil, com times autossuficientes e capazes de resolver problemas em curto espaço de tempo, reduzindo o atrito com burocracias e processos ineficientes.

No warm up do Realize, no dia 27 de janeiro, o jornalista Wilson Moherdaui, convidado como mediador das sessões com líderes corporativos, explorou bastante esse papel estruturante da TI, na entrevista com Walkiria Marchetti, diretora-executiva do Bradesco. Funcionária do banco há 40 anos e referência de inovação no setor, ela conta como uma grande organização transforma seus produtos, modelos de negócio e sua própria cultura empresarial. Sem que nada tivesse sido combinado, a palestra do professor Sílvio Meira, no mesmo evento, também teve como destaque os caminhos para escalonar a transformação digital. Vale a pena assistir o vídeo do evento, com as experiências e das dicas desses especialistas.

Valor, satisfação do cliente e economia

Os autores do estudo avaliam que a Modernização Contínua seja a melhor abordagem para cumprir os três objetivos gerais da inovação.

Em relação a geração de valor e redução de custos, a primeira questão é conseguir medir. A modernização já começa a facilitar as coisas a partir dessa premissa. A ideia da Modernização é apresentar determinado conjunto de funcionalidades de um grande sistema como microsserviços. Um escopo técnico e de negócio mais fechado, como, por exemplo, a implementação de conceitos de Value Stream, permite a definição de objetivos comuns, custos e métricas tangíveis e fáceis de gerenciar. Consequentemente, governança, satisfação dos clientes e medição dos KPI’s são mais objetivas e simplificadas.

Outra vantagem da migração de um modelo orientado a projetos para um de entrega contínua é a redução de overheads, débito técnico e estoque de código. A pesquisa constata casos em que 80% das novas implementações chegam obsoletos no momento da entrega em produção, ou raramente são usados. À medida que uma das premissas da Modernização Contínua é trabalhar com escopos mais focados, fica mais fácil eliminar ou ajustar o que possa gerar custos de desenvolvimento e manutenção, junto a gerenciamento e infraestrutura, que apresentem baixa ou nenhuma geração de valor.

Mais inteligência e menos “genialidade”; mais fatos e menos riscos

Nos dados referentes a projetos mal sucedidos, as taxas dos casos de desenvolvimento do zero ou migração para pacotes de mercado chegam a ser 20 vezes maiores do que na modernização contínua. Mais importante que as ponderações tecnológicas é a constatação dos autores do estudo: em resumo, afirmam os analistas, as pessoas que tomam as decisões não sabem como as coisas funcionam de verdade.

Do ponto de vista do pessoal de DevOps, Ágil e outras disciplinas de TI, a ideia de escalonar as mudanças e acréscimos funcionais em pequenas entregas tem a ver com minimização de custo e impacto. Já os analistas enfatizam a qualidade da comunicação entre as áreas de desenvolvimento e negócio como a chave do sucesso da estratégia da modernização contínua.

Na prática, quanto melhores definidas as Value Streams, menor o ruído. Sistemas com documentação defasada e prolixas (quando existe) e um mal entendimento dos processos e funcionalidades de negócio representam um grande risco na substituição, seja por reescrita ou por pacotes.

Outra vantagem da modernização contínua, que o estudo dimensiona em dinheiro, é a baixa latência das decisões. Junto à agilidade, vemos ganhos de qualidade, no que poderíamos chamar de DecisionOps. Ou seja, as decisões operacionais, gerenciais e estratégicas passam por quem tem que executar e/ou responder pelo resultado.

Quando se fala em “alavancar o legado” e “expor o valor da lógica de negócio”, isso não se aplica só a tecnologia. Não apenas porque, subjetivamente, “projetos disruptivos” assustam, enquanto “modernizações contínuas” mobilizam e entregam resultado. Junto à motivação implícita no próprio jargão, a valorização do conhecimento e do senso crítico tem gerado um engajamento maior do que o esperado. Na prática, se substitui o “o que é isso?” diante de uma nova funcionalidade ou processo pelo “é isso!” de quem vê a inovação como uma resposta ao que precisa para trabalhar melhor e gerar mais resultados.

Rogério Sartori
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